CIENTISTAS EM SALDO
in PÚBLICO
David Marçal
"Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? Que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou.
São os bolseiros de investigação científica! Uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".
Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (bolsa de investigação científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (bolsa de doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18 por cento do poder de compra.
Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem a ser pagos". Mas trata-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases e o doutoramento é apenas uma fase da carreira de um cientista.
Os bolseiros têm direito ao chamado "seguro social voluntário" - que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a Segurança Social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Por que raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de Segurança Social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de Segurança Social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!
Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução, começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem pública e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas sendo assim, digam.
*Investigador em bioquímica. Bolseiro durante seis anos "
28.10.08
18.10.08
13.10.08
pARA oS mEUS AVÓS!!
Céu cinzento lembra-me o dia em que tudo se foi..
esses olhos onde outrora corria o mar..
mortos e enterrados.. comidos pelos bichos!!
Levados por Deus para bem longe de mim.. onde estarás? o que sentirás?
perguntas sem resposta, perguntas sem devolução de palavras.... essas? continuam ocas ao soar de um vazio imenso deixado por esses teus olhos que já não veêm, sentem ou choram..
Vives em MIM, ouves-me agora?
Ouve-me agora Deus.. injusto e cego continuas Deus .. não roubarás esta vida de dentro de mim....
escondi-a no rio que corre.. rio frio e gelado com cheiro a pecado!
estão Vivos..
dentro de mim estarão vivos!!
4.10.08
25.8.08
Por vezes, apenas quero desistir!! Sinto-me cansado, sinto que me roubam as asas e que me esmagam a coragem que me resta!
20.8.08
crescer...crescendo..crescido
"Um rasgão de luz sobre a pele...
penetra-nos, viaja dentro de nós e
mostra-nos um corpo estranho que
dizem ser nosso... Põe-nos do avesso
e sacodem a poeira acumulada
no interior das páginas que ninguém
mais sabe ler... É a radiografia
de um homem, o espectro de um
corpo de ossos revestido de carne,
manipulando sentidos. Amplos
mas precisos... Só que aquilo
que escondemos nesse corpo ninguém vê...
Guardamos dentro de
nós a sombra, o retrato da
nossa alma a preto e branco,
desfocado, onde nada se define,
nada se distingue e tudo
se confunde. É aí que se dá o
Bing-Bang, a origem da vida e
do amor."
12.8.08
22.7.08
10.7.08
You Should Be a Musician |
![]() You have a rare combinations of talents: an ear for music, nimble fingers, and the willpower to practice. You could master almost any instrument you choose to play (if you haven't already!) |
9.7.08
cobardes!!! Cobardes!!! Cobardes!!!
Cobardes!!! Cobardes!!! Cobardes!!!
Cobardes!!! Cobardes!!! Cobardes!!!
7.7.08
A sinceridade no olhar: è algo que gostava..
Saber que te olham com sinceridade è algo de reconfortante!
3.7.08
1.7.08
Maybe one day...one day.!.!.!
Maybe one day we will express something beatiful or so sincere and meaninful like he had done!!
Listen to truth inside his words, It is called Talent!!
Johnny Cash: Hurt
One of his last songs before his death...
10.6.08
HOLD ON, jus hold on!!
NOW that I am getting to the end of my line. The line that often crosses my mind, like a flashback, like a ridding horse...a Black horse with white wings. I feel it, pulling... just pulling me to the underground! Do I allow such thing? Of course I do, it’s stronger than me this mortality condition, the thought that one day I’ll die... leaving this world on a back of a black horse.. These thoughts are made of pure energy, they are real, you can feel them, breathe them and like I do..suffer upon them. It’s time to let you drown in this river of time that passes through us between every single fraction. It is the time to jump and hOLD oN these tiny shores that this mighty river bears...
28.5.08
5.4.08
Se escolhessem um poema da vossa vida, qual seria???
Apresento-vos o meu!! :
Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem a meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente, reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
Lisboa, Agosto de 1913
in «Poesia de Álvaro de Campos»
3.3.08
3.2.08






