Voltou.. a chuva voltou, e com ela as folhas levadas pelo vento.. despidas voam bem lá no alto. subiu a cortina... Foi naquele momento, naquela hora em que me deixei morrer, em vão, como uma folha caída de uma árvore já morta. Não me aguentei, nunca o conseguirira.
Perdi-me para com o mundo.... Deixei-te pendurado.. corda ao pescoço, asfixia, sangra... MORRE, para nunca mais saber de ti ou de mim. Perdi-me nas calçadas frias e enternecidas pelo fio de ouro que me mata e me deixa ver. Imagem desfocada do que alguma vez eu fui, retrato poeirento, amarelado pelo tempo, que me levou por entre dimensões sujas e opacas demais para te encontrar, e enegrecido pelo fogacho de uma memória alguma vez lembrada e chorada.
Coração Meu...
Porque não bates por tudo isto? Porque não choras ? Porque não deixas levar a dor?...
leva-a embora, estou cansado de seu peso.
A chuva parou, e com ela o tumulto esvaíu-se uma vez mais em sonho real...
mas o vento... o vento continua dentro, levantando do chão todas estas nuvens negras e pesadas demais para suportar..
Continuando pela calçada aqueço-me de todo este frio... trémulo e de cabeça erguida, tal Rei coragem, continuo pela calçada de fim de tarde.. a chuva parou, mas o vento.. o vento continua..
20.2.06
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